“Ela me mostrou o que é ser uma heroína”, afirma pai de copilota morta em queda de jatinho nos EUA

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Em uma coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (6), Allan Filgueiras expressou sua profunda dor pela perda de sua filha, a copilota Nathalia Filgueiras, morta no último domingo (1º) após a queda de um jatinho Learjet 60 no condado de Palm Beach, na Flórida. O acidente, que deixou nove vítimas fatais enquanto a aeronave seguia do Texas para as Bahamas, ocorreu após a tripulação enfrentar uma tempestade. Visivelmente abalado, o piloto relembrou a trajetória da jovem na aviação e declarou: “Ela era talentosa e minha alma gêmea”.

Ao comentar a tragédia, Allan revelou o sofrimento vivenciado por seus familiares e a angústia de não ter podido intervir para salvar a filha. “Eu queria estar ao lado dela, dentro do avião, para ajudar… Eu precisava estar ao lado dela”, desabafou. Ele explicou ter ouvido repetidas vezes os áudios da comunicação entre a copilota e o controle de tráfego aéreo, em uma tentativa de compreender a dinâmica da tragédia e encontrar respostas em sua mente sobre o que causou o acidente.

Nas gravações obtidas durante os instantes finais de voo, Nathalia reportou a gravidade da situação operacional enfrentada pela aeronave. Em um dos momentos transmitidos, a copilota informou aos controladores: “Estamos em uma condição de velocidade excessiva, descendo 20 mil pés por minuto”. Pouco depois, emitiu um alerta crítico de impacto iminente ao afirmar: “Vamos cair no chão… Estamos descendo a 22 mil pés por minuto e inclinando 60 graus”. Mesmo sob extremo estresse, a profissional manteve a comunicação de emergência até o fim da transmissão.

A postura firme da profissional diante da emergência foi ressaltada pelo pai como um testemunho de coragem e dedicação à carreira. “Ela me deixou muito orgulhoso. Ela me mostrou o que é ser uma heroína, porque, quando você vê a morte se aproximando, muitos homens experientes, militares ou quem quer que seja, não conseguem lidar com isso. E ela estava lá, até o último minuto, lutando”, enfatizou Allan durante o encontro com os jornalistas.

A paixão de Nathalia pela aviação começou ainda na infância, aos 12 anos, acompanhando as viagens de voo de seu pai. Mais tarde, a jovem obteve sua licença para pilotar aeronaves antes mesmo de aprender a dirigir automóveis, acumulando uma experiência de mais de 1.300 horas de voo. Allan recordou a felicidade constante demonstrada pela copilota com a profissão, citando declarações em que a filha expressava tamanha satisfação que voaria mesmo sem remuneração.

Durante a coletiva, o pai da jovem também desabafou sobre o impacto do luto no cotidiano da família. “Para a família, é como se estivessem arrancando meu coração do peito. Preciso encontrar uma maneira de continuar vivendo”, afirmou. Os advogados que representam a família, como Stuart Grossman, esclareceram que a coletiva visava exclusivamente homenagear a reputação da aviadora. “Nathalia estava muito além de uma piloto comum. Ela era extraordinária”, declarou Grossman, que também externou solidariedade às famílias dos demais ocupantes.

As circunstâncias que culminaram na tragédia aérea continuam sob investigação do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), que mobilizou uma equipe de 20 peritos para analisar o caso. As equipes de resgate e perícia já recuperaram partes de um dos motores do jato e mantêm a varredura nos destroços localizados na região de Greenacres. Até o momento, as autoridades federais não emitiram conclusões definitivas sobre as causas do acidente.

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