
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) destinou, entre 20 e 22 de outubro, ao menos R$ 1,6 milhão ao impulsionamento de publicações que atacam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes Facebook e Instagram, de propriedade da Meta. O levantamento realizado pelo portal Metrópoles, divulgado nesta sexta‑feira (23), identificou 19 posts promovidos nas plataformas da empresa.
O vídeo que recebeu o maior investimento apresenta Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio, criticando um comentário de Lula sobre exame de próstata. Segundo o estudo, a publicação foi impulsionada com valores entre R$ 450 mil e R$ 500 mil. “Nunca mais abra sua boca suja para falar uma frase dessa”, afirma Daniella na gravação.
Outras peças abordam programas sociais e a gestão federal. O Metrópoles contabilizou seis publicações que criticam a falta de reajuste do Bolsa Família, três que denunciam casos de corrupção e despesas do governo – entre eles viagens de Janja – e ao menos duas que associam o aumento da criminalidade à administração petista. Temas como agronegócio, Nordeste e religião também aparecem entre os conteúdos divulgados.
Das 19 publicações, 17 foram postadas na quarta‑feira (21 de outubro). Na mesma data, a campanha de Lula solicitou a cassação da candidatura de Flávio por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação, alegando que a Meta teria favorecido a distribuição de conteúdos bolsonaristas e restringido os do petista. A empresa nega qualquer favorecimento.
A controvérsia surge após falhas que limitaram anúncios da campanha de Lula no Instagram. Em 9 de outubro, o perfil do presidente ficou temporariamente impedido de criar anúncios a partir de publicações já feitas no feed, embora anúncios anteriores e novos conteúdos enviados diretamente pelo gerenciador permanecessem disponíveis. Em nota divulgada em 16 de outubro e atualizada em 18 de outubro, a Meta atribuiu a restrição a uma falha global provocada por uma atualização de código, corrigida nas primeiras horas de 10 de outubro. A companhia afirma aplicar as mesmas regras a todas as candidaturas e rejeita as acusações de direcionamento político.

